sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Boca de santa


"Se com minha mão pecadora eu tocar e profanar sua mão sagrada, aceito a penitência: então meus lábios, dois humildes peregrinos, hão de apagar com um terno beijo o pecado de minha mão.

Não calunie a sua mão, romeiro: ela demonstra respeito e devoção, eu vejo... As santas também têm mãos, que os peregrinos podem tocar. Unindo as palmas é que as mãos se beijam.

As santas não têm boca?

Sim, romeiro, mas só para orações.

Se é assim minha cara santa, deixa os lábios fazerem o que fazem as mãos! Eles rogam: conceda-lhes esta graça, para a sua devoção não fraquejar.

Santas não se movem, embora concedam suas graças aos devotos.

Pois então não se mexa e atenda ao meu pedido. Seus lábios absolveram os meus do pecado.

Mas agora o pecado passou dos seus lábios aos meus.

Dos meus lábios aos seus? Para doce pecado, amável penitência: devolva-o aos meus."

William Shakespeare



Começa então a mais doce e amarga história de amor, que termina com sangue do perdão.


Vai gente, fica gente.... e a todo momento não me deixo esquecer.

Que meus pecados, eternamente serão seus.


Nenhum comentário:

Postar um comentário