Nunca me dei certo com diários de papel, apesar de nunca parar de escrever... vou tentar essa terapia on line!
domingo, 21 de outubro de 2012
Só utopia
Nesse mundo desprovido de elogios, esquecemos de observar as belezas.
Esquecemos de observar os detalhes, os sorrisos.
Deixamos de apreciar o cinza, deixamos de ver a graça no escuro.
Esquecemos de sentir o sabor do beijo, desejando o gozo final.
Esquecemos o prazer de andar de mãos dadas, desejando o abrir das roupas.
Nesse mundo sem elogios, não paramos para observar os olhares, para ouvir as vozes.
Não deixamos o outro nos surpreender, não desejamos mais ser a surpresa.
Desejamos o igual, nos esquecendo, que o diferente sempre atrai.
Mas não nos atraímos mais, nos esquecemos da juventude.
Quando deveríamos nos apaixonar todos os dias, resolvemos não parar, para simplesmente sentir.
Compramos desejos, vendemos sonhos, roubamos esperanças, sem nada em troca.
Deixamos os dias passarem, a fim de reclamar da vida, que ai de nossas mãos.
Viramos poetas de nossa própria desgraça.
Viramos platéia de nossa própria tristeza.
Viramos inimigos de nossa paz.
Nesse mundo desprovido de elogios, esquecemos que somos o autor de nossas linhas.
Detentores de nossos passos, senhores de nossas almas.
Criadores de nossas escolhes, colhedores de nossas oportunidades.
Nesse mundo desprovido de elogios, buscamos cores, onde já existiam.
Buscamos paz, onde ela já reinava.
Buscamos vida. Recolhendo a falta dela.
Não vivo mais nesse mundo.
Me mudei para minha criação.
Ver as cores.
Ver os olhos.
Ver a vida, da forma mais clara que ela pode ser vista.
Sem critica, sem pesadelo.
Só utopia.
Nesse mundo sem elogios, eu sou a palavra bonita.
Eu sou a rosa com espinhos, que faz embelezar, mesmo fazendo sangrar.
Não é minha culpa, fui feita assim.
E serei assim, até murchar.
Sortudo aquele que me segurar, se machucará, me machucará.
Mas terá para sempre, o perfume no ar.
Assinar:
Comentários (Atom)