quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Sou eu, sou você

Quando eu descobri o que era o amor, foi tarde demais.

Junto com ele veio a lágrima, a dor, a saudade, a tristeza, a insegurança..

Junto veio a felicidade, a segurança, o sonho, o prazer...

Junto também veio o ódio, a guerra, a ternura e o abraço.

Também vieram o ciumes e a objeção.

Mas vieram a paciência e tranquilidade.

Quando eu conheci o amor, foi tarde demais.

Ele veio com você.

Você foi embora.. ele não.. e parte de mim também se foi..

Pois meu amor é você, e ao mesmo tempo sou eu...

Não digo que não amarei novamente... pois todo caco pode se colar.. apenas digo, que ao partir, me levaste uma parte junto.. deixaste uma parte aqui...

Jamais esquecida, jamais descartada...

Quando conheci o desamor, ele trouxe o carinho... e a certeza de uma lição internalizada.

Com a palavra...

- Eu não tenho certeza, eu disse, lutando pra ser coerente enquanto o olhar dele não intencionalmente confundia os meus pensamentos. É alguma coisa relacionada a inevitabilidade. Como nada consegue mantê-los separados - nem o egoísmo dela, nem a maldade dele, e no fim, nem mesmo a morte...


O rosto dele estava pensativo enquanto ele pensava nas minhas palavras. Depois de um momento, ele deu um sorriso de zombaria.


- Eu ainda preferiria se um deles tivesse uma qualidade que os redimisse.


- Eu acho que é disso que eu estou falando, eu discordei. O amor deles é a única qualidade que os redime.


- É um pouco tarde pra me preocupar com a pessoa pela qual eu vou me apaixonar...



Nem um, nem outro... nem Heathcliff nem Cathy.... apenas um, apenas a roxa que está abaixo do chão, o ar acima do vento, a vida por trás da morte....

domingo, 21 de outubro de 2012

Só utopia


Nesse mundo desprovido de elogios, esquecemos de observar as belezas.
Esquecemos de observar os detalhes, os sorrisos.
Deixamos de apreciar o cinza, deixamos de ver a graça no escuro.
Esquecemos de sentir o sabor do beijo, desejando o gozo final.
Esquecemos o prazer de andar de mãos dadas, desejando o abrir das roupas.

Nesse mundo sem elogios, não paramos para observar os olhares, para ouvir as vozes.
Não deixamos o outro nos surpreender, não desejamos mais ser a surpresa.
Desejamos o igual, nos esquecendo, que o diferente sempre atrai.
Mas não nos atraímos mais, nos esquecemos da juventude.

Quando deveríamos nos apaixonar todos os dias, resolvemos não parar, para simplesmente sentir.
Compramos desejos, vendemos sonhos, roubamos esperanças, sem nada em troca.

Deixamos os dias passarem, a fim de reclamar da vida, que ai de nossas mãos.
Viramos poetas de nossa própria desgraça.
Viramos platéia de nossa própria tristeza.
Viramos inimigos de nossa paz.

Nesse mundo desprovido de elogios, esquecemos que somos o autor de nossas linhas.
Detentores de nossos passos, senhores de nossas almas.
Criadores de nossas escolhes, colhedores de nossas oportunidades.

Nesse mundo desprovido de elogios, buscamos cores, onde já existiam.
Buscamos paz, onde ela já reinava.
Buscamos vida. Recolhendo a falta dela.

Não vivo mais nesse mundo.
Me mudei para minha criação.
Ver as cores.
Ver os olhos.
Ver a vida, da forma mais clara que ela pode ser vista.

Sem critica, sem pesadelo.
Só utopia.

Nesse mundo sem elogios, eu sou a palavra bonita.
Eu sou a rosa com espinhos, que faz embelezar, mesmo fazendo sangrar.
Não é minha culpa, fui feita assim.
E serei assim, até murchar.

Sortudo aquele que me segurar, se machucará, me machucará.
Mas terá para sempre, o perfume no ar.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Boca de santa


"Se com minha mão pecadora eu tocar e profanar sua mão sagrada, aceito a penitência: então meus lábios, dois humildes peregrinos, hão de apagar com um terno beijo o pecado de minha mão.

Não calunie a sua mão, romeiro: ela demonstra respeito e devoção, eu vejo... As santas também têm mãos, que os peregrinos podem tocar. Unindo as palmas é que as mãos se beijam.

As santas não têm boca?

Sim, romeiro, mas só para orações.

Se é assim minha cara santa, deixa os lábios fazerem o que fazem as mãos! Eles rogam: conceda-lhes esta graça, para a sua devoção não fraquejar.

Santas não se movem, embora concedam suas graças aos devotos.

Pois então não se mexa e atenda ao meu pedido. Seus lábios absolveram os meus do pecado.

Mas agora o pecado passou dos seus lábios aos meus.

Dos meus lábios aos seus? Para doce pecado, amável penitência: devolva-o aos meus."

William Shakespeare



Começa então a mais doce e amarga história de amor, que termina com sangue do perdão.


Vai gente, fica gente.... e a todo momento não me deixo esquecer.

Que meus pecados, eternamente serão seus.


sábado, 8 de setembro de 2012

Receita de menina...



"Para se fazer uma menina é muito simples...

Toma-se uma xícara de felicidade, dois balões lilás, pétalas de rosa, um pouco de glacê, um punhadinho de areia, três conchinhas róseas, uma colherada de imaginação. Acrescente-se também um pouquinho de sal e muito açúcar e mel, uma casquinha de sorvete, o dengo de um gatinho novo e três gotinhas de perfume. 

Não esquecer de um espelhinho prateado, pois uma menina é vaidosa. É importante adicionar uma borboleta amarela, muita inocência e um dedinho com band-aid. 

Recolhe com cuidado, uma gotinha de orvalho, o brilho de uma jóia, todas as matizes de um quadro de Renoir, uma pitada de sonho e muito carinho. Consiga um pouco daquela brisa que sopra do mar, uma colherinha da luz das estrelas, um sorriso inesperado, o ruído de uma onda na praia e deixe tudo isso ao luar. 

Misture e acrescente muita ternura e amor, um pouco de teimosia e muita curiosidade, uma lágrima e duas asinhas de beija-flor. 

É assim que são feitas as meninas. São as coisinhas mais lindas que existem na terra. São muito frágeis e ao mesmo tempo fortes e resistentes. 

Com apenas uma lágrima comovem o mais duro dos corações, pois ninguém resiste a um pedido acompanhado de um beijo molhado. 

Uma menina parece que nasce sabendo que terá a responsabilidade de alegrar, suavizar e colorir a vida."



Lindo texto... achei por ai!





segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Joey Ricklis

Escutei essa história em uma palestra, há muito tempo atrás.. de tanto procurar consegui achar na integra...


Joey Ricklis nasceu e cresceu em uma família abastada, em Cleveland, Ohio. Estudou nas melhores escolas e usufruiu de todas as vantagens e confortos que o dinheiro pode garantir. Entretanto...
Acima de tudo, no entanto, tinha um pai compreensivo. Adam Ricklis era tão compreensivo a ponto de entender os anseios próprios da juventude e aceitar a decisão do filho de, ao término da faculdade, viajar para a Índia em busca de uma "luz espiritual que o iluminasse".

A atitude de Adam Ricklis, no entanto, modificou-se quando seu filho lhe disse que pretendia romper com o judaísmo. Sobrevivente do Holocausto, tendo passado por três campos de concentração e sendo o único sobrevivente de sua família totalmente dizimada pelos nazistas, Adam Ricklis revoltou-se com a decisão de Joey. Para Adam, a religião pela qual seus familiares haviam perecido não poderia jamais ser abandonada. Para ele, tal gesto seria uma traição aos mortos.


Inconformado, Adam perguntava-se o que havia acontecido com Joey ao longo dos anos. Profundo seguidor das tradições judaicas, Adam enviou seus filhos à escola judaica, levava-os à sinagoga regularmente e estava certo de que eles se identificavam com o judaísmo. Tinha orgulho de si mesmo por ter conseguido criar filhos que certamente carregariam a herança familiar. Portanto, não poderia, de maneira nenhuma, aceitar a decisão do filho, e lhe disse:


"Saia daqui. Saia da minha casa e nunca mais volte. Você não é mais meu filho. Vou tirá-lo do meu coração, da minha alma e da minha vida. Nunca mais quero vê-lo". Joey então respondeu ao pai: "Está bem. Se está bem para você, está para mim, pois eu também não quero vê-lo nunca mais".

Assim, Joey partiu para a Índia, atrás de sabedoria, espiritualidade e respostas concretas para os mistérios da vida. Durante suas andanças, conheceu Sarah, uma garota que também havia abandonado o judaísmo de seus pais em busca de uma alternativa espiritual. Com certeza, Joey e Sarah eram duas almas gêmeas.


Durante seis anos permaneceram juntos, até que um dia, Joey encontrou um antigo companheiro da escola, em uma rua de Bombaim. Após a troca de abraços comum entre dois velhos amigos, o rapaz disse a Joey que sentia pelo seu pai. "Meu pai? O que aconteceu com meu pai?", perguntou ansiosamente Joey. E o amigo, então, contou-lhe que Adam Ricklis havia morrido há poucos meses, vítima de um enfarte. Não entendia como ninguém comunicara a Joey.


"Ninguém sabia onde eu estava", retrucou Joey, acrescentando: "Meu pai não morreu de enfarte. Foi algo mais parecido a um coração partido, tenho certeza. Eu fui a causa de sua morte, eu o matei". Sarah reagiu a estas palavras, afirmando que ele nada tivera a ver com a morte de seu pai. "Sarah, você está errada. Eu tenho tudo a ver com a morte de meu pai", afirmou Joey.


Joey passou vários dias perdido em seus próprios pensamentos. Ele não conseguia se libertar da certeza de que a dor que havia infligido ao seu pai, ao romper com o judaísmo, fora responsável por sua morte. No fundo de sua alma, Joey esperava pela reconciliação. Agora, não poderia mais pedir perdão ao pai ou retornar ao conforto de seu amor. E jamais teria a resposta de que tanto necessitava.

Assim, certa manhã, pegou a mão de Sarah e disse-lhe que não poderia mais permanecer na Índia, pois a viagem não tinha mais significado e acrescentou: "Eu sei que parecerá estranho para você, mas eu preciso ir a Israel". Surpresa, ela lhe perguntou por que ele queria ir a Israel.

"Não sei exatamente a razão, mas sinto-me impelido a fazer esta viagem. Sinto que preciso ir". Embora a contragosto, Sarah concordou em acompanhá-lo. Quando o avião aterrissou em Israel, Joey disse a Sarah que gostaria de rezar. Espantada, ela perguntou-lhe se estava brincando e, como Joey disse que não, quis saber a qual sinagoga iriam.


Mais uma vez, Sarah espantou-se com a resposta do namorado, que afirmou desejar ir ao Muro das Lamentações, em Jerusalém. "As pessoas acreditam que a Presença Divina é mais forte nesse local do que em qualquer outro. Pessoas do mundo todo vêm rezar no Muro, pedindo a D’us por milagres".


Conformada, mas não convencida, Sarah concordou em segui-lo até o Muro. No caminho, Sarah falou de sua insatisfação diante do comportamento de Joey. Ele queixou-se de sua atitude, afirmando: "Ouça Sarah, eu estou sofrendo, eu amava meu pai. Ele está morto e eu sinto como se o tivesse matado. Por que você está tornando tudo tão difícil para mim?"


Após uma hora de discussão, Sarah disse que suas almas não estavam mais em harmonia, que não eram mais almas gêmeas e cada um seguiu seu caminho.


Ao se aproximar do Muro das Lamentações, Joey parou para observar as pessoas que circulavam. Etíopes usando trajes africanos, iemenitas em roupas tradicionais, americanos de camisetas e pequenas quipot. Todos se dirigindo a D’us.


Joey, então, chegou mais perto e, carregando um livro de orações e com uma quipá na cabeça, começou a imitar os movimentos das pessoas. Encostou sua cabeça nas pedras e começou a orar silenciosamente. Ele pensou que não saberia como rezar, mas as palavras aprendidas há anos, na escola judaica, brotaram de sua mente e de seu coração, trazendo-lhe conforto.


De olhos fechados, foi transportado ao mundo de sua adolescência, relembrando a maneira como o seu pai orava. "Oh, pai, como eu gostaria de pedir o seu perdão. Como gostaria de ter dito o quanto eu o amava; o quanto eu lamento toda a dor que lhe causei. Eu não pretendia feri-lo, pai. Estava apenas tentando encontrar o meu próprio caminho. Você era tudo para mim e eu gostaria de lhe ter dito isso".


Ao terminar, abriu os olhos e olhou ao seu redor, tentando descobrir o que deveria fazer. Observou várias pessoas escrevendo mensagens, dobrando os papéis e colocando-os nos espaços vazios entre as pedras do Muro das Lamentações. Decidiu, então, perguntar a um homem o que este gesto significava e ouviu a seguinte resposta:


"São pedidos e preces. As pessoas acreditam que as pedras são sagradas e que as mensagens serão especialmente abençoadas". Joey perguntou se poderia fazer o mesmo. O homem disse-lhe que sim, avisando-o, no entanto, que não seria muito fácil encontrar um local para a sua mensagem.


Joey então escreveu: "Querido pai, imploro que perdoe a dor que lhe causei. Eu o amava muito e jamais o esquecerei. Saiba que nada do que me ensinou foi em vão. Não trairei jamais os nossos antepassados. Eu prometo". Ao procurar um espaço para sua mensagem percebeu que não seria fácil. Levou quase uma hora para encontrar um espaço, mas logo percebeu que este não estava vazio. Ao tentar colocar a sua mensagem nas pedras, sem querer, derrubou um papel. Ao recolocá-lo nas pedras, abriu-o impulsivamente, encontrando a seguinte mensagem:


"Meu querido filho Joey. Se você algum dia vier e Israel e, por algum milagre, encontrar esta mensagem, quero que saiba que eu sempre o amei, mesmo quando você me magoou. Nunca parei de amá-lo. Você é e sempre será o meu filho amado. Joey, por favor, saiba que eu o perdôo por tudo e espero que você seja capaz de perdoar este homem velho e enlouquecido". A mensagem estava assinada por Adam Ricklis, de Cleveland, Ohio.


Parado, diante do Muro, Joey ouviu uma voz distante perguntando-lhe se estava tudo bem. Ao virar o rosto, Joey viu o homem com o qual conversara anteriormente e que o estava convidando para passar o Shabat em sua casa.


Joey retornou à vida judaica e, três anos mais tarde, estava estudando em uma ieshivá, em Jerusalém. Um dia, o rabino-chefe da instituição disse-lhe que já era tempo de Joey se casar e que sua esposa gostaria de lhe apresentar uma jovem que, segundo ela, era sua alma gêmea. Uma jovem que, como ele, também havia retornado ao judaísmo.


Assim, Joey aceitou um convite para jantar na casa do rabino-chefe. Ao chegar, foi levado para a sala de estar. Lá, sentada em um sofá, estava Sarah, sua ex-namorada. Espantados, ficaram de pé, um em frente ao outro, com lágrimas nos olhos. "Como isso aconteceu, Sarah?", Joey perguntou.


Ela explicou-lhe que depois da separação, já que estava em Israel, decidiu conhecer melhor o país. "E, sem querer, apaixonei-me por Israel, pelas pessoas, e acabei encontrando a escola para moças, onde comecei a estudar. E aqui estou".


Joey disse-lhe, então, que jamais a esquecera, e ela respondeu, com um sorriso: "Acho que agora as nossas almas estão novamente em harmonia".











Extraído do livro "Pequenos milagres – Coincidências extraordinárias 
do cotidiano", de Yitta Halberstam e Judith Leventhal

domingo, 5 de agosto de 2012

Minha cria

Tenho para mim que guardei seu cheiro na memória e na carne.

Guardei seus jeitos e olhares.... Preguiça de te deixar ir embora, para te aproveitar um pouco mais.

Vontade de te ter um pouco a cada dia, mesmo que seja em pensamento, mesmo que seja em lembrança.

Guardo seus passos como se fossem meus, e lhe preservo como se fosse eu.

Como se eu já te sentisse parte de mim, mesmo quer por pura imaginação ou vontade.

Guardo seu cheiro, como se fosse o ultimo a sentir na terra.